A IA já faz parte do quotidiano. Mas estarão as empresas preparadas?

A Inteligência Artificial deixou de ser uma tecnologia experimental para passar a integrar o dia a dia dos profissionais. Hoje, já está presente em tarefas operacionais, processos analíticos e funções estratégicas, alterando a forma como as organizações trabalham, tomam decisões e gerem talento.

Segundo o Guia Hays 2026, mais de 60% dos profissionais já utilizam IA no contexto de trabalho, um valor que duplicou em apenas dois anos. A tendência confirma uma transformação acelerada do mercado. Mas estarão as empresas preparadas para acompanhar esta evolução?

A IA está a mudar o perfil das competências mais valorizadas

Ferramentas de automação, análise inteligente e IA generativa estão a simplificar tarefas repetitivas e a aumentar a produtividade. Mas também estão a redefinir aquilo que o mercado valoriza nos profissionais.

Os benefícios já são visíveis: 67% das empresas e 64% dos profissionais identificam ganhos de produtividade e eficiência associados à utilização de IA. Além disso, 52% das organizações consideram que estas ferramentas contribuem para o brainstorm e para o estímulo à criatividade, enquanto 49% destacam o apoio à análise de dados como uma das principais mais-valias.

No entanto, a crescente integração destas tecnologias também está a alterar as exigências do mercado de trabalho. Saber utilizar tecnologia já não é suficiente. Torna-se essencial compreender contexto, interpretar informação, validar resultados e tomar decisões críticas.

Competências como pensamento analítico, adaptabilidade, colaboração, aprendizagem contínua e capacidade de resolução de problemas tornam-se cada vez mais relevantes num mercado moldado pela IA.

A escassez de competências continua a ser um dos maiores desafios

Apesar do avanço tecnológico, 57% das empresas continuam a reportar escassez de competências e 5% classificam essa escassez como extrema. O verdadeiro desafio passa pela capacidade de desenvolver competências internamente e preparar as equipas para novas exigências profissionais.

As organizações começam a perceber que a transformação digital depende menos da tecnologia disponível e mais da capacidade das pessoas para a utilizar de forma crítica, estratégica e adaptável.

O Guia Hays 2026 reforça esta tendência:

  • 49% das organizações identificam o upskilling como uma das principais respostas às lacunas de competências;
  • 12% apostam no reskilling para requalificar profissionais para novas funções.

A aprendizagem contínua deixa, assim, de ser um benefício adicional e passa a assumir um papel central na estratégia de talento.

O interesse em aprender supera a formação disponibilizada pelas empresas

Um dos sinais mais claros da transformação em curso é o facto de os profissionais estarem a avançar mais rapidamente do que muitas organizações.

Segundo o Guia Hays 2026, 90% dos profissionais demonstram interesse em desenvolver competências em Inteligência Artificial e 84% das empresas reconhecem essa necessidade. Ainda assim, apenas 27% dos trabalhadores afirma ter recebido formação específica nesta área.

Perante a ausência de programas estruturados de capacitação, muitos profissionais estão a assumir individualmente a responsabilidade pela aprendizagem. O estudo revela que 19% dos inquiridos desenvolveu competências em IA de forma autodidata, refletindo uma crescente iniciativa individual, mas também uma lacuna nas estratégias de formação de várias organizações.

O futuro da empregabilidade será definido pela capacidade de adaptação

Para os profissionais, esta transformação altera profundamente o conceito de empregabilidade. A estabilidade deixa de depender apenas da função atual ou da experiência acumulada. Passa a estar diretamente ligada à capacidade de evolução contínua, aprendizagem e adaptação a novas ferramentas e exigências.

Num mercado pautado pela rápida evolução tecnológica, a vantagem competitiva deixa de pertencer apenas às empresas com melhor tecnologia. Pertence, sobretudo, às organizações e aos profissionais capazes de evoluir continuamente com ela.

Mais do que uma tendência tecnológica, a IA está a tornar-se um teste à capacidade de adaptação das empresas, das lideranças e das pessoas.