A Inteligência Artificial (IA) está a transformar rapidamente o mundo do trabalho. No entanto, a tecnologia, por si só, não garante melhores resultados. O Global Human Capital Trends 2026, da Deloitte, releva que o verdadeiro desafio para as organizações passa por integrar a IA de forma eficaz nas equipas, nos processos e na tomada de decisão.
O estudo revela:
- 66% dos líderes questionados consideram que a colaboração entre pessoas e IA será determinante para o sucesso das organizações.
- Apesar deste consenso, apenas 14% afirmam que as suas empresas conseguem promover essa colaboração de forma eficaz
- Só 6% consideram estar na linha da frente desta transformação.
Esta diferença entre ambição e preparação ajuda a explicar porque é que muitas organizações continuam sem alcançar o retorno esperado dos investimentos em IA.

Segundo a Deloitte, 59% das empresas continuam a adotar uma abordagem centrada na tecnologia, incorporando soluções de IA em modelos de trabalho já existentes, em vez de adaptarem processos, funções e responsabilidades à nova realidade. Em contrapartida, as organizações que ajustam a forma como o trabalho é desenvolvido para potenciar a colaboração entre pessoas e IA têm o dobro da probabilidade de superar as expectativas de retorno do investimento.
O relatório apresenta um exemplo elucidativo. Uma empresa europeia de telecomunicações registou um aumento de produtividade de apenas 5% depois de introduzir um assistente de IA sem alterar a forma de trabalhar das equipas. Mais tarde, ao rever os processos, clarificar responsabilidades, estabelecer mecanismos de supervisão e investir na formação dos colaboradores, o ganho de produtividade subiu para 30%.
A principal conclusão é clara: o sucesso da IA não depende apenas da qualidade da tecnologia, mas também da capacidade das organizações para qualificar as pessoas que a utilizam.
Sem investimento em competências, novas formas de trabalho e uma cultura de aprendizagem contínua, o potencial da IA dificilmente se traduzirá em ganhos sustentados de produtividade.
Esta visão é reforçada por Margarida Sousa Uva, Associate Partner da Deloitte, que, em declarações ao ECO, identificou a formação dos profissionais como uma das principais alavancas para concretizar os ganhos de produtividade associados à IA.
Neste sentido, à medida que a IA se torna mais acessível, a vantagem competitiva deixará de depender apenas da tecnologia disponível. O verdadeiro fator diferenciador será a capacidade das organizações para preparar as suas pessoas, integrar estas soluções no dia a dia e converter o seu potencial em ganhos efetivos de produtividade e inovação.
É neste contexto que a formação assume um papel estratégico. A TechOf apoia empresas e profissionais no desenvolvimento das competências necessárias para uma adoção eficaz da IA, através de programas orientados para a aplicação prática em contexto profissional. O curso Artificial Intelligence, por exemplo, combina uma abordagem abrangente aos principais conceitos da IA com casos de utilização reais e boas práticas, preparando os participantes para aplicar estas tecnologias de forma responsável e alinhada com os objetivos das suas organizações.